Garoa
Praça cheia de árvores altas à volta, num sábado desses que cai uma chuva fininha, quase sem vontade. Pouca gente na rua e eu e uma menina andando por lá e conversando sobre a vida.
A praça dá a impressão de ser uma base de uma pirâmide maia incompleta, já antiga, com escadarias cheias de limo e de fraturas. Pessoas olhando tótens com informações sobre a história do lugar, e guardas em suas cabines observando as pessoas. Ela começa:
A gente podia melhorar isso. Não queria que tivesse chegado nesse ponto, nesse marasmo.
Nem eu.
Mas como a gente melhora isso? Eu sei que você pode.
Parecia ser a hora de dizer que eu não tava muito afim de remoer passado. Mas ela foi mais rápida.
Preciso ir.
Deixa eu te levar até o ponto.
Não… não precisa…
Como sempre tinha aquela sensação de que ela não queria ser “ajudada”, mas já não via razão pra ela achar que isso era qualquer ajuda além de consideração. Nunca foi ajuda.
Vou com ela ao ponto, em silêncio. O ônibus chega, acordo.